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Veja também: |
Omissões "Que valor tem a vida de alguém nas mãos
desses homens sem alma?"
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Certas classes profissionais
mantém um grau maior de corporativismo que outras. Corporativismo, como se
sabe, refere-se às ações conjuntas de um grupo de pessoas, com uma identidade
comum, profissional ou não, que tem por objetivo defender pontos de vista
comuns. Ou, para irmos direto ao tema do nosso artigo, trata-se da defesa
intransigente dos interesses de certas classes profissionais. Seguindo o lema
'um por todos, todos por um', todos os integrantes procuram agir de todas as formas (mesmo acima da lei) na defesa de um dos seus membros. A lei do silêncio é uma das estratégias mais utilizadas, quando se trata de
ignorar solenemente o que um companheiro pratica. E o silêncio não se prende a
uma questão de ética, mas é antes mero pretexto ou uma deslavada omissão.
Ninguém, afinal quer comprometer o companheiro, mesmo que este denigra toda a
classe. Bem, não existe no Brasil uma classe mais corporativista que a médica. Não
fosse assim, os Conselhos Regionais de Medicina agiriam com rigor nos milhares
de casos em que estes profissionais da vida, se transformam em agentes da
morte. Dos casos de omissão de socorro aos erros médicos, tudo é solenemente
ignorado. Raros são os médicos que admitem os erros dos colegas. E quando isso
acontece é em caráter estritamente confidencial. E não se trata de pequenos erros, desses a que a todos os profissionais estão sujeitos. São, por vezes,
atos criminosos, desumanos, parte motivados pelo mercantilismo em que se
transformou a medicina, outros por negligência acintosa. O pior são os médicos que se transformam em frios assassinos, transformando
seus hospitais em clínicas clandestinas de aborto (o que existe em grande
número, infelizmente). De todos os casos, e não são poucos, o que mais nos
estarreceu foi o de um certo médico que cometeu, a nosso ver, um crime
hediondo: matou o neto, ao fazer um aborto na própria filha. E ele segue
clinicando, tranqüilamente, aceito entre os seus pares… Espera-se que atitudes mais enérgicas sejam tomadas antes que coisas piores venham a ocorrer. Porém, lamentavelmente, antes que providências mais expressivas e enérgicas sejam tomadas, de omissão em omissão, muitas vidas serão ceifadas. Porto Velho, 24 de dezembro de 1998. Abel Sidney |
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